Alguma coisa acontece.
Uma palavra é dita.
Uma mensagem não chega.
Alguém muda o tom de voz.
Um plano não acontece como você esperava.
E, antes mesmo de compreender o que sentiu, você reage.
Responde.
Se fecha.
Chora.
Se irrita.
Tenta controlar.
Ou simplesmente diz: “Não foi nada.”
Mas foi.
Algo aconteceu dentro de você.
A pergunta é: você conseguiu perceber antes de reagir?
Sentir e reagir não são exatamente a mesma coisa
Uma emoção pode aparecer rapidamente.
Raiva.
Medo.
Tristeza.
Vergonha.
Culpa.
O corpo pode responder antes mesmo de você organizar a experiência em palavras.
O coração acelera.
A respiração muda.
Os músculos ficam tensos.
Surge uma vontade imediata de falar, fugir, controlar ou se proteger.
A reação costuma dizer: “Faça alguma coisa agora.”
A consciência pergunta: “O que está acontecendo dentro de mim?”
Essa pequena diferença pode transformar a maneira como nos relacionamos com nossas emoções.
Antes da raiva, o que aconteceu?
Imagine que alguém não respondeu à sua mensagem.
Você sente raiva.
Mas, se observar um pouco mais profundamente, talvez perceba uma sequência: a mensagem não foi respondida.
Você pensou que estava sendo ignorado.
Sentiu medo de não ser importante.
O corpo ficou tenso.
Então surgiu a raiva.
A raiva é real.
Mas talvez ela não seja a história inteira.
É justamente esse tipo de observação que algumas cartas do Oráculo O Som da Alma convidam a realizar. Entre seus 45 temas estão A Raiva, A Tristeza, A Culpa, O Medo, O Controle, A Intuição, O Silêncio, O Corpo, O Limite, A Sombra e A Criança Interior.
Uma emoção pode ser o começo de uma investigação interior.
Experimente perguntar: “O que veio antes?”
Da próxima vez que uma emoção intensa aparecer, experimente não começar perguntando:
“Como faço isso passar?”
Pergunte:
“O que aconteceu antes de eu me sentir assim?”
Talvez tenha sido uma conversa.
Uma lembrança.
Uma expectativa.
Uma sensação física.
Um pensamento.
Uma comparação.
Um limite ultrapassado.
Depois, faça outra pergunta:
“O que eu pensei que aquilo significava?”
Essa pergunta é poderosa porque duas pessoas podem viver uma situação semelhante e interpretá-la de maneiras completamente diferentes.
Nem sempre reagimos apenas ao acontecimento.
Muitas vezes reagimos também ao significado que atribuímos a ele.
O corpo pode avisar que uma emoção está crescendo
Talvez você ainda não consiga dizer:
“Estou ficando com raiva.”
Mas pode perceber o maxilar apertado.
Talvez ainda não reconheça: “Estou com medo.”
Mas note a respiração curta.
Talvez diga que está tudo bem enquanto sente um peso no peito ou uma inquietação persistente.
Observar o corpo não significa diagnosticar a origem de sintomas físicos. Alterações persistentes ou preocupantes devem ser avaliadas por profissionais de saúde.
Mas perceber mudanças corporais durante uma experiência emocional pode ajudar você a reconhecer o que está sentindo antes que a emoção alcance sua maior intensidade.
A pausa de 90 segundos
Quando perceber uma reação crescendo, experimente uma pausa simples.
Não responda imediatamente, se a situação permitir.
Coloque os pés no chão.
Observe cinco coisas ao seu redor.
Respire de forma confortável.
Depois nomeie mentalmente:
“Existe raiva aqui.”
Ou:
“Existe medo aqui.”
Ou simplesmente:
“Eu ainda não sei o que estou sentindo.”
Você não precisa resolver tudo naquele momento.
O objetivo da pausa é criar espaço para perceber.
A emoção não precisa dirigir todas as suas escolhas
Sentir raiva não obriga você a enviar aquela mensagem.
Sentir medo não significa automaticamente que deve desistir.
Sentir culpa não determina que precisa se punir.
Sentir tristeza não exige que você esconda o que sente.
Uma emoção merece ser reconhecida.
Mas decisões importantes também podem precisar de tempo, informações, reflexão e discernimento.
Você pode sentir profundamente e, ainda assim, escolher conscientemente como agir.
Uma carta, uma emoção, uma pergunta
Uma das formas sugeridas para utilizar O Som da Alma é retirar uma carta e permitir que seu tema se transforme em foco de reflexão, escrita ou prática de presença. Cada carta reúne mensagem, perguntas reflexivas, afirmação e prática sugerida.
Se você retirar O Medo, pode escrever:
Do que estou tentando me proteger?
Se retirar A Raiva:
Onde preciso observar meus limites?
Se surgir O Controle:
O que estou tentando garantir porque tenho medo da incerteza?
Não procure uma resposta bonita.
Procure uma resposta verdadeira.
Talvez você não precise sentir menos
Talvez precise aprender a perceber mais cedo.
Antes do grito.
Antes da fuga.
Antes da mensagem impulsiva.
Antes de dizer que não sente nada.
Existe um instante entre a emoção e a reação.
No começo, ele pode parecer quase invisível.
Mas, quando você começa a observá-lo, esse espaço pode crescer.
E talvez seja justamente ali que uma nova pergunta apareça:
“Eu quero apenas reagir ao que senti ou quero compreender o que está acontecendo dentro de mim?”
Respire.
Observe.
Nomeie.
Escute.
Algumas emoções chegam como ondas. A consciência pode aprender a perceber quando a maré começa a mudar.
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